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Como vocĂȘ imagina o mundo em 2030?

No contexto em que estamos, Ă© possĂ­vel estimular nos jovens uma perspectiva positiva de futuro?

Bem
 Se fizéssemos essa pergunta a qualquer pessoa em 2019, as chances de termos respostas pessimistas poderiam até ser altas, mas no contexto com o qual lidamos no Brasil de 2021, elas seriam certeiras. A pandemia do novo coronavírus modificou o nosso presente de forma abrupta, reconfigurou o nosso olhar sobre o passado e ampliou ainda mais as incertezas quanto ao futuro.


Os impactos sĂŁo diversos e absorvidos de diferentes maneiras por pessoas de todas as idades. No entanto, pesquisas como a publicada em junho deste ano no relatĂłrio “Jovens: ProjeçÔes Populacionais, PercepçÔes e PolĂ­ticas PĂșblicas”, do Centro de PolĂ­ticas PĂșblicas da FGV Social, no Rio de Janeiro, apontam que os jovens brasileiros com idade entre 15 e 29 anos sĂŁo os mais afetados em termos de saĂșde mental e baixas expectativas sobre o presente e o porvir.


Entre as consequĂȘncias psicossociais para essa população estĂŁo depressĂŁo, desemprego, angĂșstia, ansiedade e estresse, insĂŽnia, insegurança em relação ao futuro e diversos prejuĂ­zos na saĂșde fĂ­sica. Tais informaçÔes foram levantadas ainda em 2020 pela 1ÂȘ edição da pesquisa “Juventudes e a Pandemia do CoronavĂ­rus'', realizada pela CONJUVE, ONU, Fundação Roberto Marinho, Unesco; Bouer; NUBE – NĂșcleo Brasileiro de EstĂĄgios.


As justificativas para que as implicaçÔes sejam maiores nessa faixa etĂĄria se devem a uma sĂ©rie de fatores, como privação do contato social em uma fase da vida de construção identitĂĄria, na qual o cĂ©rebro Ă© extremamente sensĂ­vel Ă  experiĂȘncia; hiperconexĂŁo e excesso de estĂ­mulos eletrĂŽnicos; falta de atividade fĂ­sica e exposição Ă  luz solar. Imagine passar por uma crise sanitĂĄria como a pandemia de covid-19 num momento de intensa transformação para o seu cĂ©rebro?



Dados mais recentes tambĂ©m desdobram outras consequĂȘncias. Em sua 2ÂȘ edição, lançada em junho de 2021 apĂłs entrevistar mais de 68 mil jovens de diferentes regiĂ”es e realidades sociais do Brasil, a pesquisa “Juventudes e a Pandemia do CoronavĂ­rus'' revelou que apesar de os jovens parecerem um pouco mais acostumados com algumas mudanças, como a educação remota, por exemplo, outros problemas se ampliaram. 6 a cada 10 sentem que nĂŁo estĂŁo conseguindo realizar boa parte das atividades propostas pela escola ou faculdade; e 7 a cada 10 nĂŁo consideram que estĂŁo conseguindo trabalhar melhor em grupo.


Essas e outras informaçÔes sĂŁo bastante preocupantes e nos impĂ”em novos desafios. No contexto em que estamos, como estimular nos jovens uma perspectiva positiva de futuro depois de tudo o que eles tĂȘm vivenciado com a pandemia? Com tantas limitaçÔes, como incentivĂĄ-los a imaginar outros futuros possĂ­veis?


SĂŁo perguntas cujas respostas sĂł poderĂŁo ser elaboradas de forma coletiva e a partir de um prisma multidisciplinar. Novas realidades, novas necessidades. O primeiro passo, no entanto, jĂĄ pode ser percebido por meio das prĂłprias pesquisas que se propĂ”em iluminar e dar voz a essas angĂșstias, realizadas com o intuito de subsidiar polĂ­ticas e programas para as juventudes.


Os processos, quaisquer que sejam, tambĂ©m perpassam a educação. Segundo o levantamento “Expectativas do Ensino no Brasil”, realizado pela Minds & Hearts, 56% dos estudantes ouvidos acreditam que Ă© preciso romper com o modelo tradicional de aulas de forma a possibilitar uma maior interação entre alunos e professores.


JĂĄ na 2ÂȘ edição da pesquisa “Juventudes e a Pandemia do CoronavĂ­rus", desde o inĂ­cio da pandemia, 6 a cada 10 jovens vĂȘm apontando atividades para trabalhar a saĂșde mental como principal conteĂșdo na abordagem de escolas e faculdades, tanto na educação remota quanto no retorno Ă s aulas presenciais.

Para alĂ©m de novas polĂ­ticas para a ĂĄrea da educação, quase a totalidade dos jovens ouvidos afirma que a garantia de vacinação da população brasileira e a definição de protocolos para lidar com futuras crises sanitĂĄrias, sem sobrecarga no sistema de saĂșde, tambĂ©m seriam essenciais para o desenvolvimento de melhores perspectivas de futuro.


O caminho é årduo e envolve mudanças estruturais jå necessårias antes mesmo da pandemia, além de um esforço conjunto de governos, empresas privadas, instituiçÔes do terceiro setor e cidadãos. O momento é de ouvir, investigar, debruçar-se sobre novas abordagens e métodos, envolver, instigar, insistir. Só não é o momento de desistir. Pois é na expectativa de um futuro melhor que reside a força para mudar o agora.

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Artigo escrito por Ana Possas, voluntĂĄria do movimento Teach the Future.

Ana Possas Ă© graduada em jornalismo e tem especialização nas ĂĄreas de comunicação estratĂ©gica e marketing digital. É mestra em cultura e comunicação, com ĂȘnfase em anĂĄlise de tendĂȘncias, pela Universidade de Lisboa. Acumula mais de 14 anos de experiĂȘncia nas ĂĄreas de educação, cultura e social. Atua como pesquisadora independente e como consultora em comunicação e marketing.

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